
Agora vou dormir... Ando com o sono e os sonhos, também, bem atrasados.
Depois de 15 minutos esperando que a turma silenciasse e notasse a minha presença (descobri que os alunos da sala 02 não me enxergam, mesmo eu tendo 1,70m, estar usando um salto 8 cm e uma camiseta amarela!), dei uma bronca na turma. É impossível acreditar que aquela turma esteja mesmo em um pré-vestibular e não em uma 4ª ou 5ª série. Ainda tenho dúvidas! Falei da importância deles estarem ali e qual era o objetivo a ser alcançado (passar no vestibular de uma das universidades mais concorridas do país). Lógico que não alcancei a compreensão de uma parte da turma que me olhava de uma maneira antipática. Eis que uma aluna, da forma mais displicente, levanta a mão a fim de fazer uma pergunta. O diálogo que seguiu, sobre o olhar atento dos demais alunos, foi o seguinte:
Você percebe que é uma ilha rodeada por gente retardada de todos os lados quando escuta bizarrices dos seguintes tipos:
* EPISÓDIO 1 - PESSOA X
Você resolve brincar, com uns amigos, de STOP (nome, lugar e objeto), numa noite tediosa e chuvosa, tomando umas cervejas e escuta as seguintes pérolas:
- Músicas com a letra 'O'.
- ONDER ALL.
- O quê?
- ONDER ALL! Aquela assim... (e no mais profundo EMBROMATION SOCIETY ele entoa WONDERWALL de OASIS).
Na outra rodada, a mesma pessoa:
- Bandas com a letra 'H'.
- HOLLING STONES.
- ... (resolvi não tecer comentário e saí da brincadeira. A resposta me paralisou!).
- Carros com a letra 'R'.
- ROLLS HORSE
- Que carro é esse? Como se escreve?
- Ué...! HORSE, oras! H-O-R-S-E de CAVALO.
- Ui...que medo! (Nem preciso dizer que as criaturas do diálogo eram igualmente retardadas, tal qual a anterior).
* EPISÓDIO 3 - PESSOA Z
Em outra ocasião, um grupo de amigos conversando sobre Brasília, sua cultura, seus habitantes, costumes, etc...
- ...tanto é que lá em Brasília na Praça dos Três Poderes tem duas esculturas gigantes de dois CANDANGOS.
Depois de muito pensar, fazer umas caretinhas, outro ser ‘atento’ à conversa solta:
- MAS É GENTE OU BICHO?
To-d-a-s as pessoas se viraram para a criatura boquiabertas e responderam em uníssono:
- GENTE!
- Ah, tá... achei que fosse uma espécie de LAGARTO.
- ... (preciso mesmo dizer algo?).
Outra ocasião, mesma pessoa, jantarzinho de uns amigos. Tudo rolando bem, até que de repente começa uma música, a criatura presta atenção, pensa, vira para mim e solta:
E eu, com a cara tostada, delicadamente tentando disfarçar:
- Por favor, cala essa boca, fala mais baixo e fica quieto.
- Mas por quê? Não tô entendendo!
- Por que o que está tocando É DOORS!
A criatura faz uma cara séria e brada:
- Ah...! Como eu vou adivinhar que era DOORS? Nada a ver! Pra mim era aquele cara que vocês estavam comentando o JIM MORRISON. Nada a ver...
...
Pois é, por essas e mais outras eu ainda não morri de tédio aqui nessa ‘terrinha brasilis’, aqui onde Judas todo ano passa férias e deixa um par de botas.
Thalita Marinho
P.S.: Todos os nomes foram omitidos para preservar a integridade moral das pessoas envolvidas. Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança de nomes, lugares e/ou pessoas terá sido mera coincidência.
Hoje, quando acordei, estava chorando. Na verdade fui dormir chorando...confusa com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Ao abrir a janela vi o tempo fechado, num tom de cinza forte, pavoroso e muita chuva. Eram 06:30h da manhã! Foi a essa hora que meu celular tocou, era meu amigo Nuno. A conversa que seguiu foi quase um monólogo.